Baleação na Ilha de São Miguel

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Baleação na Ilha de São Miguel Página dedicada ao resgate, promoção e divulgação do património baleeiro na Ilha de São Migue ● Breve historial da atividade baleeira na Ilha de São Miguel.

Na década de 1880, constituíram-se armações no Grupo Oriental, a partir da ilha de São Miguel. Nesta ilha existiram quatro companhias baleeiras:
No Calhau Miúdo das Capelas, junto ao Morro, fundada a 29 de Outubro de 1884;
No porto de Santa Iria, na freguesia da Ribeirinha, fundada no mesmo ano (1884);
Na Grota, junto à Praia Grande dos Mosteiros, a “Companhia Pescadora”, fundada em 23 de Outubro de 1885 da qual era gerente o conhecido industrial João de Melo Abreu;
No Castelo do Porto Formoso, a “Companhia Baleeira Esperança”, fundada por alvará de 20 de Abril de 1886. Além destas, o Governo Civil de Ponta Delgada passou ainda, com data de 5 de Agosto de 1885, alvará provisório a Amâncio Júlio Cabral e José Maria Pimentel, para criação de uma empresa dedicada à pesca de cetáceos no Areal Grande de S. Roque, na costa sul da ilha. Todas estas empresas tiveram existência mais ou menos efémera, à excepção da Companhia Baleeira das Capelas/São Vicente que, ao longo dos anos cresceu em meios e equipamentos, tendo aumentado as suas capacidades operacional e técnica, a ponto de ter se constituído uma das empresas de maior dimensão e com mais longa existência no arquipélago (1884-1983). - In Wilkipedia

● História recente

A actividade baleeira no Arquipélago dos Açores teve a par do Culto do Espírito Santo, grande implantação e impacto económico, social e cultural na vida das suas populações, contribuindo deste modo para a identidade colectiva das Ilhas tão bem traduzida por Vitorino Nemésio. Desde há 25 anos, nem os governos do PSD nem do PS, foram sensíveis à recuperação e valorização da Fábrica dos Poços de São Vicente Ferreira. Ignoraram deliberadamente durante este tempo todo os anseios dos micaelenses em geral e da Junta de São Vicente e Capelas em particular, que tudo fezeram ao que estava ao seu alcance para que a situação deplorável hoje fosse diferente. Contrastando com a "agonia" do sector em São Miguel, durante esses 25 anos, foi recuperada (com toda a justiça) a actividade baleeira nas Ilhas das Flores, Faial e Pico através da musealização de quatro antigas Fábricas, a construção do Museu do Baleeiro e o restauro de dezenas de botes, de lanchas e "casas dos botes" , chegando-se mesmo a adquirir em São Miguel maquinarias e outros artefactos para completar colecções nos referidos espaços. A acção das entidades competentes foi exemplar nesta acção, denotando responsabilidade e sentido estratégico no domínio da Cultura. Perante a importância que a actividade baleeira teve em São Miguel, não seria de esperar outra atitude por parte dos Governos que não fosse dar a mesma atenção à Ilha de São Miguel. Tal não se verificou, demonstrando a história recente e o contexto actual observado, a continuação de um desinteresse e dualidade de critérios das entidades com responsabilidades na matéria.

● Propósitos futuros

Considerando o panorama actual, é legitimo os micaelenses lutarem por um património a que tem direito independentemente de estratégias politico-partidárias, nomeadamente pelo resgate urgente do seu património baleeiro através da edificação de um Centro interpretativo da actividade baleeira no lugar dos Poços (incluindo actividades de natureza desportiva e económica), aquisição, resgate, restauro e estudo da documentação /artefactos existentes e restauro das "casas dos botes" / edificações associadas à actividade um pouco por toda a Ilha.

Para memória futura, suplemento do "Correio do Norte" em 2008 sobre a baleação em São Miguel
14/10/2026

Para memória futura, suplemento do "Correio do Norte" em 2008 sobre a baleação em São Miguel

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12/10/2026

Anos 90 - Aeroporto

Baleação

Rainha dos Açores

A maior e mais potente de todas as lanchas que operaram na Companhia Balieira Mariense. Foi comprada em junho de 1955 a Álvaro Soares de Barros (natural de Sta. Maria), pela quantia de trezentos mil escudos (Registo provisório por falta de escritura pública de venda).
Destinada a apoio e reboque de baleias e de cetáceos, foi averbada com dois motor da marca "REV WONG 100HP cada".
Caraterísticas: Tonelagem bruta: 12,60t; comprimento: 12mts; boca: 3mts; pontal: 1,40mts.
Pagou de registos a quantia de vinte e três escudos.
Foi vendida a 20 de março de 1963 às messes do Aeroporto de Santa Maria por quinze mil escudos.
A 8 de Setembro de 1965 passa a propriedade do Aeroporto de Santa Maria, Direcção Geral da Aeronáutica Civil, para o serviço de busca e salvamento no Aeroporto.
Averbado 2 de novembro de 1983 a favor da ANA-EP continuando ao serviço do Aeroporto de Santa Maria, nessa época foi ainda utilizada para cruzeiros turísticos à volta da ilha e ás Formigas.
Finalmente passou a propriedade do Governo Regional dos Açores por averbamento de 2 de abril de 1984, tendo apodrecido e desmantelada

Postado em: Memórias e Lembranças da Ilha de Santa Maria

O bote baleeiro açorianohttp://issuu.com/filipefranco/docs/canoa-baleeira/1
11/10/2026

O bote baleeiro açoriano

http://issuu.com/filipefranco/docs/canoa-baleeira/1

O BOTE BALEEIRO DE SÃO MIGUEL

Canoa Baleeira denomina as embarcações usadas na caça à baleia e outros barcos de características semelhantes, caracterizadas por extremidades iguais, aguçadas. No início do século XIX, foram utilizadas a bordo dos navios baleeiros norte-americanos e depois nas estações costeiras espalhadas pelo mundo.
Trata-se de um barco aberto, entre os 27 e os 38 pés de comprimento, de propulsão a remos e à vela. Bem adaptado à sua função, revela uma estética peculiar. Se o tamanho varia, assim como as linhas e os métodos construtivos, as suas características básicas são reconhecíeis.
No final de 1800 foi utilizado em lugares longínquos do Pacífico, Índico e Ártico. No Atlântico, há registos da sua utilização um pouco por todo o lado: Groenlândia, ilhas Granadinas, Brasil, Tristão da Cunha e Macaronésia, incluindo as ilhas dos Açores. Conquistaram até os mares mais remotos sendo, por isso, a mais comum das embarcações de pequeno porte.
Após o declínio da baleação americana offshore (década 1920), as canoas baleeiras conheceram o seu apogeu de aperfeiçoamento construtivo por força da sua utilização na baleação costeira e do desenvolvimento tecnológica associado às guerras.
A caça à baleia marcou o carácter e o modo de vida dos Açorianos. A baleação, como actividade organizada surge nas ilhas a ocidente, por volta de 1830, e estende-se por todo o arquipélago ao longo quase meio século. Faz sobressair especificidades locais e deixa marcas distintas nas ilhas, nas pessoas e nas Comunidades.
Tal como a baleia/cachalote, o bote baleeiro (na terminologia regional) é um símbolo dos Açores. Constitui um vestígio material marcante no Património e Cultura Açoriana, que resulta de uma dimensão arquipelágica.
É um dos activos da Região com maior valor, considerando as suas múltiplas facetas. Extravasa o interesse histórico-patrimonial e afirma uma Identidade própria. Potencia novas oportunidades no plano cultural, desportivo, educativo e turístico. Presta um contributo relevante na preservação das tradições, incluindo a construção naval tradicional. Finalmente, poderá desempenhar um papel de ligação das pessoas e das ilhas, entre si, e estas ao mundo.
Nos Açores, o bote baleeiro revela igualmente o seu carácter evolutivo. Adapta-se às circunstâncias inerentes a embarcações de trabalho e transforma-se pelo engenho criativo dos construtores navais locais e dos seus utilizadores: os baleeiros.
Do design inicial, inspirado no «Beetle whaleboat» americano foi ganhando novas formas. Mais alongado, melhor adaptado às condições de navegação nos nossos mares e ao tipo de baleação costeira artesanal.
Ao longo dos tempos, incorporou um intrincado conjunto de conhecimentos, de artes e saberes, resultado da disponibilidade de materiais, do acesso às técnicas construtivas, às tecnologias e aos métodos de fabrico, adequando-se aos diferentes contextos da baleação nas ilhas.
Esta diversidade constitui «partes de um todo» de uma gigantesca «dimensão cultural Açoriana» que assenta na diversidade e na complementaridade.
Beneficiando de um enquadramento legislativo facilitador da preservação do património baleeiro na Região, foram recuperados (e reconstruídos) mais de 40 botes nos Açores. Em todos, foram adoptadas as antigas técnicas da construção naval, tendo como referencial o «modelo de bote baleeiro do Pico».
Contudo, contemplando o bote baleeiro “SANTA JOANA” percebe-se que na ilha de São Miguel o fabrico destas embarcações seguiu métodos construtivos divergentes, particularmente os contemporâneos ao início da II Guerra Mundial, no arranque da fase pujante da industrialização da caça à baleia nos Açores.
O «tabuado horizontal com mata-juntas» foi substituído pelo «tabuado cruzado», tornando o processo construtivo mais barato, mais rápido e mais eficiente. Segundo os antigos baleeiros das Capelas, este método permitiria inclusive aumentar a segurança «no trabalho com a baleia» em caso de abalroamento do cetáceo, uma vez que esta construção seria mais resistente a embates. Há ainda aqueles que realçam as extraordinárias performances à vela e a remos que este design permitiria, sobretudo em mar agreste.
Ora, isto conduz-nos ao centro comercial Parque Atlântico, onde está exposto o bote baleeiro “SANTA JOANA”. Esta embarcação, propriedade do Museu Carlos Machado (1998), constitui uma peça indispensável para a explicação da dinâmica evolutiva do bote baleeiro Açoriano. O seu verdadeiro interesse não reside no simples facto de ser um bote baleeiro, nem tão pouco de ser um bote baleeiro da ilha de São Miguel…
O que justifica a sua classificação como «Património Regional» é o facto de testemunhar o carácter evolutivo no design, nas técnicas e nos métodos construtivos, aspecto que atesta a especificidade dos Açores e confere primordial interesse à baleação Açoriana no contexto mundial. Afinal, não há «um modelo» de bote baleeiro açoriano. Há pelo menos dois!
Isso justifica uma atenção especial para o estudo sistematizado da embarcação, aprofundando o conhecimento sobre o «bote baleeiro de São Miguel», permitindo salvaguardar este modelo diferenciado, contribuindo para preservar as técnicas e métodos construtivos tradicionais também na ilha de São Miguel.
Uma boa oportunidade seria aproveitar uma intervenção de reparação [necessária] no bote “SANTA JOANA”, devolvendo-lhe as capacidades de navegabilidade [mesmo que não volte ao mar] porque esta é a única forma de o preservar para o futuro. Seria do maior interesse a construção de uma réplica do bote que pudesse navegar e explicar ao público este “mundo imenso da baleação Açoriana”. Regista-se que não há nenhum bote baleeiro reconstruido segundo o método construtivo do «tabuado cruzado» a navegar nos Açores!
Seria um projecto do maior interesse, utilidade pública e prestígio para os parceiros envolvidos, designadamente o Museu Carlos Machado e o Parque Atlântico. Certo é que a diversidade e a complementaridade promovem o verdadeiro potencial da história da baleação nos Açores. O todo é incomensuravelmente maior do que a simples soma das partes!

Miguel Cravinho*
Bote Baleeiro “SENHORA DE FÁTIMA”

* Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico

𝗨𝗺𝗮 𝗾𝘂𝗲𝘀𝘁𝗮̃𝗼 𝗱𝗲 𝘀𝗲𝗿𝗶𝗲𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗽𝗼𝗹𝗶𝘁𝗶𝗰𝗮.José Manuel Bolieiro defendeu a recuperação da memória baleeira em São Miguel em 28 d...
10/10/2026

𝗨𝗺𝗮 𝗾𝘂𝗲𝘀𝘁𝗮̃𝗼 𝗱𝗲 𝘀𝗲𝗿𝗶𝗲𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗽𝗼𝗹𝗶𝘁𝗶𝗰𝗮.
José Manuel Bolieiro defendeu a recuperação da memória baleeira em São Miguel em 28 de julho de 2018, quando assumia o cargo de Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada.
Numa intervenção realizada na vila baleeira de Capelas, o autarca de então sustentou que a recuperação da herança ligada à faina da baleia em São Miguel é uma responsabilidade coletiva.
Principais pontos defendidos por José Manuel Bolieiro:
Resgate cultural e museológico: Envolve recuperar equipamentos, a arte e os testemunhos orais dos antigos baleeiros e de todos os que participaram nesta atividade.
Valorização do território: Preservar as marcas e evidências físicas ainda existentes em locais com forte tradição, como a freguesia das Capelas.
Criação de um roteiro: Apelou à estruturação de um roteiro turístico e cultural dedicado à baleação e à identidade associada a esta memória coletiva.
Agora que é Presidente do Governo Regional pergunta-se o que fez pelas ideias defendidas????

10/10/2026
Em 2015 era assim, hoje continua tudo na mesma
10/10/2026

Em 2015 era assim, hoje continua tudo na mesma

Ao cuidado da Direção Regional da Cultura

In AO 7 outubro 2026
08/10/2026

In AO 7 outubro 2026

06/07/2026

...uma tradição em São Miguel.

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