É recorrente, em períodos de crise econômica de grande abrangência, como a vivida hoje , que as nações mais desenvolvidas busquem compensar a perda de mercados internos, com a consequente diminuição da atividade econômica e o aumento do desemprego, recorrendo à exportação de produtos e serviços. Nessa conjuntura, a competitividade de um país em meio ao acirramento da concorrência pelos mercados mu
ndiais é dada por sua capacidade de produzir inovação e tecnologia em produtos de alto valor agregado e com custos competitivos. Nessa conjuntura, a situação do Brasil é preocupante. Corremos o risco, assim, de sermos atropelados por uma avalanche de empresas originárias desses países em crise, ou não, que obviamente visam ao crescente mercado interno brasileiro e à previsão de investimentos de cerca de 1,3 trilhão de reais na infraestrutura brasileira até 2016. Os governantes brasileiros devem inserir em seus planos estratégicos para o país a importância da engenharia para o desenvolvimento da inovação, de novas tecnologias e, portanto, do aumento da produtividade e da competitividade brasileiras num cenário internacional cada vez mais restritivo e disputado com todas as armas disponíveis pelas nações mais poderosas do planeta. A engenharia de projetos, responsável pela concepção e desenvolvimento das obras de infraestrutura absolutamente necessárias à eliminação de gargalos que causam aumento de custos dos produtos brasileiros exportados – custos esses evidentemente ampliados também por outros fatores –, é um dos vetores que podem auxiliar de forma essencial na melhoria da competitividade brasileira. O risco real que pesa sobre a engenharia brasileira – e, portanto, sobre o país – é de que parte de nossos governantes seja seduzida pelo “canto da sereia” das ofertas internacionais de “tecnologia e pessoal qualificado”, atreladas à realização de projetos e obras por empresas de engenharia desses países. O resultado dessa estratégia é também bastante conhecido: contratos bilionários realizados por empresas do exterior, que resultam na compra de máquinas, equipamentos e serviços dessas nações, transferindo empregos, renda e favorecendo o incremento tecnológico dos países beneficiados pelos contratos pagos com recursos, via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e/ou do erário público, de toda a sociedade brasileira. A engenharia é uma das bases mais fortes para dar suporte à inovação, ao incremento tecnológico e, portanto, à competitividade de um país. O Brasil tem uma oportunidade única para explorar essa situação privilegiada em seu próprio benefício. Os benefícios para o Brasil seriam visíveis, não somente no curto prazo, mas especialmente nas próximas décadas, com a melhoria da competitividade brasileira em áreas estratégicas e de grande valor agregado. Isto é fundamental para revertermos o atual quadro econômico brasileiro, no qual a indústria, que já representou 25% do PIB, hoje ficou reduzida a menos de 15% – retrato vivo da desindustrialização do país – com o déficit na balança comercial industrial atingindo mais de 90 bilhões de dólares.