04/08/2017
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Matéria publicada na revista ESCALADA- SINDI Combustíveis PR n 298/ junho/ 2017
Um novo modelo envolvendo geração e consumo de energia elétrica pode ser uma solução para os donos de postos de combustíveis reduzirem os custos com a fatura de luz. Por meio da geração compartilhada, empresas podem se agrupar em cooperativa para aproveitar a geração de energia feita em uma central mais próxima dos pontos de consumo, o que diminui os custos com transmissão e pode refletir em até 10% de redução no valor da conta de energia elétrica. O benefício foi apresentado aos diretores do Sindicombustíveis-PR pela empresa ENergiCiti, que atua como gestora de soluções em energia e já está cadastrando interessados em aderir ao sistema, e pela Synergia, responsável pela operação da central geradora.
Segundo explica o diretor da EnergiCiti, Maurício Adamowski, o novo modelo é possível graças a Resolução Normativa n 482/2012 da ANEEL( Agência Nacional de Energia Elétrica), que incentivou a produção de energia próxima ao ponto de consumo, já na fase de distribuição, que é a energia que chega nas residências. O objetivo era aumentar a produção, sem a necessidade de novas usinas, que são caras e com inúmeras restrições ambientais.
" As pessoas já utilizavam os painéis solares, mas aproveitavam pouco porque no momento principal de coleta de energia, entre 9h e 15h, geralmente o morador não estava em casa consumindo energia. Com a norma, a energia produzida e não consumida passou a ser injetada na rede elétrica para posterior consumo, à noite por exemplo."
No aguardo entanto explica Adamowski, o governo ainda não está satisfeito com os resultados com a produção de energia, e em março de 2016, alterou a norma 482 para ampliar a geração. " A partir de então, passou a ser possível a produção de energia em um determinado ponto é o consumo em outro local, mesmo que o consumidor não seja o produtor. Com isso, veio a possibilidade de reunir grupos de consumidores e atrelar a eles uma única geração num ponto físico que não seja desses consumidores, mas desde que na mesma concessionária, no caso do Paraná, a COPEL."
Outra exigência da norma é que a fonte de energia tem que ser de fontes renováveis, como a eólica, solar, biomassa, térmica( fonte adotada nesse primeiro grupo pela Synergia), entre outras, com até 5 Megawatts de geração.
Como funciona
Em cada adesão, a EnergiCiti analisa o consumo médio do Posto em kilowatt que será injetado pela central geradora à rede da Copel. O revendedor(Posto) continua recebendo normalmente a conta de energia elétrica da Copel com todos os dados de consumo. Se o consumo for igual ao injetado, o pagamento da parte da energia elétrica em si (ICMS e outros valores continuam sendo pagos normalmente para a Copel) será feito à Synergia com cerca de 10% de desconto do que seria pago à concessionária, na forma de rateio de locação e operação da central geradora. Se o consumo for maior que a média, o consumidor (Posto) paga o excedente normalmente à Copel, sem os descontos oferecidos pela EnergiCiti e Synergia. Se o consumo for menor ele f**a com crédito de kilowatt na rede, que pode ser usado em até 5 anos.
O diretor da EnergiCiti também explica que o revendedor (Posto) não paga a bandeira, que é o adicional em reais que vem cobrado por kilowatt/hora consumido a partir do patamar de 100kilowatt. " Como você está consumindo energia que você mesmo está gerando por meio da sua cooperativa, essa energia não entra no cálculo da bandeira. O revendedor só pagaria a bandeira dentro da parc lá consumida fora do que foi injetado na rede da Copel pela central geradora da qual faz parte."
Um ponto destacado por Adamowski é que não há nenhum tipo de risco ao revendedor de combustível. "Não tem nada a perder, pois não há nenhum investimento inicial e o modelo tem a chancela da concessionária. A única questão é que se quiser desistir tem que informar com 180 dias de antecedência."
Outra ponderação feita por Adamowski é que a geração compartilhada é mais indicada para postos que utilizam baixa tensão. Para os de alta tensão também é possível entrar na cooperativa, mas somente depois de uma análise detalhado do regime de consumo. Vai ser mais indicado para quem estiver na tarifa em que o horário de ponta é caro e o maior consumo da empresa é justamente no horário de ponta.
Respostas para Dúvidas
Minha conta vai ser mais barata?
A redução na conta é, em média, 14% do valor da energia elétrica, sem os impostos e outras cobranças, o que dá em torno de 10% de abatimento no valor total da fatura.
Qualquer revendedor(Posto) pode aderir?
Será feita uma análise da conta de luz para avaliação se vale a pena ou não a inclusão nesse sistema. Revendedores (Postos) que não forem associados ao Sindicombustíveis também podem entrar, mas terão descontos menores na fatura do que os associados.
Ainda receberei a fatura da Copel?
Sim. O revendedor continua recebendo normalmente a fatura da Copel com os valores discriminados. O valor referente à energia elétrica que corresponder será pago à Synergia via boleto. Outras cobranças na fatura como ICMS são pagos normalmente à Copel.
O que acontece se a central geradora a que eu estiver conectado parar de funcionar? Fico sem energia elétrica?
Não. Numa hipótese como esta e em qualquer outra situação que não houver injeção de energia da central à rede de distribuição, o revendedor utiliza normalmente a energia da Copel.
Como entro no sistema?
O dono do posto tem que encaminhar as faturas de energia dos últimos 12 meses. Se ele não tiver é fácil conseguir pelo próprio site da Copel www.copel.com . As faturas devem ser encaminhadas digitalmente por e-mail para o Sindicombustíveis. Depois de feita a análise por parte da EnergiCiti será preciso documentos padrões como CPF e cópia do Contrato social.
É preciso fazer algum investimento?
Não há nenhum investimento inicial ou risco. A qualquer momento o revendedor pode desistir, desde que avise com 180 dias de antecedência.
A Copel aprova este modelo de gerenciamento de energia?
Sim, tudo é feito com a chancela da Copel.
E qual é o papel da EnergiCiti?
A EnergiCiti é responsável por identif**ar os consumidores que podem se beneficiar da geração compartilhada e conecta-lis a central geradora de energia elétrica, gerenciando toda a parte burocrática.
Jornalista responsável:
Fabiano Glück Camargo
MT 3141/11/190-PR