06/09/2026
EXIGE TUDO, DECIDE TUDO, MAS NO FINAL A CULPA É SEMPRE DO CADASTRANTE?
O órgão ambiental exige matrícula, memorial, , planta, documentos dominiais, imagem histórica, dinâmica de desmate, identificação do satélite, data da imagem, quantificação em hectares, Reserva Legal e confronto com bases oficiais; depois analisa, interpreta, aprova, reprova, cria pendência e produz consequência administrativa, mas, quando surge erro, perda de documento, interpretação equivocada ou falha da própria base estatal, tenta resumir tudo à frase conveniente de que a responsabilidade é apenas do cadastrante ou do proprietário.
Na Fazenda Nossa Senhora Aparecida, a própria análise exigiu esse nível de reconstrução técnica para aplicar o art. 41 do Decreto Estadual nº 1.031/2017.
Só que decreto não revoga lei superior. A CF/88, arts. 5º, II, e 37, caput e §6º, impõe legalidade, moralidade, eficiência e responsabilidade estatal; o CPC, arts. 369, 371, 373 e 405, disciplina produção, apreciação, ônus e força da prova documental; o Código Civil, arts. 43, 186, 187 e 927, trata da responsabilidade das pessoas jurídicas de direito público, ato ilícito, abuso de direito e reparação; a Lei nº 9.784/1999, arts. 2º e 50, exige legalidade, motivação, razoabilidade, segurança jurídica e fundamentação explícita dos atos administrativos; e, havendo dolo e os requisitos específicos de cada tipo, ainda podem surgir discussões pela Lei nº 8.429/1992, art. 11, pela Lei nº 13.869/2019, art. 33, e pelo Código Penal, art. 319.
Então a pergunta é inevitável: se o Estado exige a prova, recebe a prova, confere a prova, confronta a prova com sua própria base e decide com base nela, como pode depois perder, ignorar ou interpretar errado esses documentos e ainda dizer que a culpa é sempre de quem cadastrou? O cadastrante responde pelo que declara, o técnico pelo que assina e o agente público pelo que exige, analisa e decide. O Decreto nº 1.031/2017 organiza o procedimento; ele não está acima da Constituição, do Código Florestal, do CPC, do Código Civil ou das leis federais.
RODAPÉ DE SISTEMA NÃO REVOGA LEI, NÃO APAGA PROVA E NÃO CRIA IMUNIDADE PARA A ADMINISTRAÇÃO.