22/09/2021
Crise das commodities atinge mercado de gás refrigerante
Elevação generalizada de preços assusta profissionais da indústria de refrigeração e ar condicionado
Escassez de matérias-primas e gargalos logísticos encarecem substâncias halogenadas
Da noite para o dia, o preço de uma botija de R-410A vendida na loja virtual de um distribuidor por R$ 1.057,88 saltou para R$ 2.813,62, uma alta de quase 166%. Esse é apenas um exemplo dos reajustes generalizados e históricos que vêm ocorrendo no segmento nos últimos dias.
Para analistas, a situação é reflexo momentâneo de diversos fatores econômicos, entre os quais a escassez de matéria-prima na China, o que tem pressionado os preços do hidroclorofluorcarbono (HCFC) R-22 e dos hidrofluorcarbonos (HFCs) R-134a, R-404A e R-410A desde o ano passado.
Aliás, a falta de matérias-primas no país asiático, maior produtor mundial de fluidos refrigerantes, está impactando diversos setores da economia global, como as indústrias de aço, alumínio e cobre.
A causa disso é a desaceleração da produção de commodities durante o primeiro ano da pandemia de covid-19, lembram os analistas.
Assim como os metais, fluido refrigerante é uma commodity. Como tal, seu preço está sujeito a oscilações periódicas. No cenário atual, as variações têm sido diárias e, no caso brasileiro, o câmbio tem peso relevante no preço final do produto.
Gargalos na capacidade de transporte também agravam a crise mundial das commodities – surtos de covid-19 e adversidades climáticas em regiões portuárias, falta de contêineres e disparada do custo do frete marítimo têm atrasado embarques.
Com a pandemia, a indústria naval se reestruturou para enfrentar a redução do tráfego de mercadorias em nível global. Agora, com o restabelecimento dos mercados e o rápido aumento da demanda por navios e contêineres para transportar mercadorias, os transportadores não conseguem aumentar suas frotas na mesma velocidade, conforme avaliam especialistas.
Devido à crise econômica provocada pela pandemia, o Brasil diminuiu suas importações de compostos halogenados no ano passado. “Usamos muito nosso estoque local”, diz o empresário.
“A partir de junho, porém, o mercado voltou a se aquecer, e isso resultou no aumento do consumo de fluidos refrigerantes”, acrescenta.
A demora dos EUA em ratificar a Emenda de Kigali também contribui para inflacionar os preços dos HFCs, uma vez que os distribuidores locais aumentaram consideravelmente suas importações da China nos últimos meses, a fim de ampliar seus estoques antes da implementação de políticas de redução gradual da produção e do consumo dessas substâncias, conforme previsto no pacto climático já ratificado por mais de 120 países.
“Devemos continuar sofrendo com essa questão dos fluidos refrigerantes até janeiro do ano que vem. E não somente em relação a fluidos. Também estamos percebendo falta de outros insumos para a manutenção do HVAC-R.”