15/02/2024
Experiência de levantamento por drone e processamento fotogramétrico recorrendo a 13 GCPs em volta da área de interesse; os GCPs foram obtidos recorrendo a equipamento com antena RTK. Este levantamento culminou numa área de perto de 4 hectares, com particular interesse na delineação de 15 artigos rústicos para fins de BUPi e 3 artigos urbanos para futuro levantamento das plantas internas para atualização em sede de IMI.
Após processamento da nuvem de pontos em alta qualidade e em modo de filtragem agressivo, deu origem a uma nuvem de pontos com cerca de 104 milhões de pontos, 1.5 GB em disco e processada a partir de 452 fotografias, ao longo de 4h12. O planeamento de voo foi feito pelo Drone Deploy, em voo cruzado, tendo em conta um ângulo de -75º no gimbal, uma altura de voo de 65 metros, velocidade de voo de 6 m/s, sobreposição lateral de 80% e frontal de 60%. As condições de aquisição não eram as ideais, pois não conseguimos um dia com difusão de luz ideal e, como se pode ver, há muita sombra.
Pela disponibilização do drone, tenho a agradecer ao CEO e profissional da Freemotion - Fotografia e vídeo que com quem aprendi muitas coisas novas, e que acredito que também tenha aprendido muitas outras coisas, entre as quais as capacidades que a sua máquina tem para bem mais do que apenas fotografia e vídeo profissional. Se servir de publicidade para futuras necessidades, é quem recomendo para video-reportagem, casamentos, grandes panorâmicas, entre todas as coisas que envolvam uma câmara fotográf**a e qualidade assegurada. O equipamento usado foi um DJI Mavic 2 Pro sem correção RTK.
Mesmo assim, apesar do voo cruzado, a nuvem de pontos respeitante ao arvoredo não foi obtida corretamente, tendo grande parte da nuvem de pontos-terreno nessa área sido resultado de uma classif**ação manual, uma vez que não havia informação suficiente para seguir o mesmo step da classif**ação da restante nuvem. O resultado é o MDT que se vê na terceira imagem.
Principais apontamentos a fazer:
- para terreno e superfícies ou formas rudes, usar SfM-MVS é quanto basta, poupando muito as pernas a quem trabalha em tão grandes áreas;
- a realidade de terreno não é respeitada, uma vez que a presença de ervas ou "objetos" em geral, não transmite a realidade de superfície que se consegue parcialmente, por exemplo, através de dados LiDAR;
- desenhar polylines em 3D ou tentar desenhar quais formas vetoriais a partir de nuvens de pontos, "é uma seca" e a densidade de pontos leva-nos para o "mais ou menos", por muito que a disponibilidade de pontos nos possa ajudar;
- fazer o mesmo trabalho a partir do rebatimento da nuvem de pontos, rasterizando a nuvem para pixeis de uma dimensão aceitável, como 2 ou 3 cm, depois mete o problema daqueles tempos em que se fazia fotointerpretação no Google Earth para fins de cadastro simplif**ado, mas em que o erro anda à volta do pixel e não à volta do metro, que comparando os limites do edif**ado com aqueles resultados obtidos por uma estação total, encontraríamos claras diferenças (ao nível dos centímetros!)
Por fim, aponto uma trabalheira dos diabos, para além do famoso rendilhado nas curvas de nível, e muitos gigas de disco gastos, mais muitas horas de processamento, somando em cima umas tantas horas de desenho. Creio que mais vale nos virarmos para um BLK 360 do que para um drone quando toca a casas. Obviamente que tem as suas vantagens e as suas desvantagens, mas não aponto o drone como uma solução "prática".